Turismo no Brasil: quem está fazendo conta?

um homem preto e uma mulher parda atendem uma turista que está interessada em comprar artesanato, numa feira de cidade pequena.
Parcelamento sem juros: um atrativo que pode sair caro

Muitos empreendedores do turismo adotam o parcelamento em várias vezes sem juros como forma de atrair clientes. A prática, comum e aparentemente inofensiva, tem se tornado cada vez mais popular em tempos de baixa demanda. Mas é preciso olhar com atenção: será que essa escolha ajuda ou atrapalha o negócio?

Quando o parcelamento é oferecido sem juros, o custo da operação recai totalmente sobre a empresa. Com margens já apertadas, muitos negócios acabam comprometendo seu fluxo de caixa. Receber a prazo enquanto paga fornecedores à vista desequilibra as finanças rapidamente.

Mais do que agradar o cliente no curto prazo, é preciso pensar na saúde financeira da empresa. Cada decisão comercial deve ser avaliada com base em números. Se o parcelamento sem juros compromete o caixa e impede investimentos, talvez seja hora de rever essa estratégia.

Intermediários e vendas diretas: o desafio do equilíbrio

O domínio das grandes plataformas de venda é uma realidade no setor. Muitos empreendedores sentem-se obrigados a aceitar comissões elevadas e condições desfavoráveis para manterem visibilidade online. Mas existe alternativa – e ela começa com uma estratégia clara de vendas diretas.

A dependência de intermediários enfraquece o relacionamento com o cliente e reduz a margem de lucro. Enquanto isso, investir em canais próprios de comunicação e fortalecer a marca são passos essenciais para atrair o consumidor certo. Isso exige trabalho, mas oferece maior controle sobre preços e condições.

Não se trata de abandonar os intermediários, mas de usá-los com inteligência. Negócios que equilibram bem suas fontes de receita conseguem crescer com mais estabilidade e autonomia. O segredo está em construir uma base sólida de clientes que confiam na empresa – e voltam sempre.

Preço baixo ou valor percebido? A conta que precisa fechar

Em meio à pressão do mercado, muitos empreendedores acreditam que baixar preços é a única saída. Essa lógica, no entanto, pode ser uma armadilha. Quando o foco está apenas no preço, o negócio entra em uma corrida sem fim por margens cada vez menores.

Precificar bem é mais do que calcular custos: é posicionar a empresa no mercado de forma estratégica. Clientes pagam mais quando percebem valor – seja no atendimento, na experiência ou na reputação da marca. Isso exige planejamento, clareza na comunicação e coerência em todas as etapas do serviço.

O turismo não pode ser tratado como uma renda extra. É um negócio como qualquer outro, que precisa ser lucrativo e sustentável. E isso começa por fazer conta. Se você ainda não calculou o impacto real das suas estratégias comerciais, talvez seja hora de começar. Vamos discutir nos comentários?

Carla Oliveira
Carla Oliveira

Consultora especializada em turismo, desenvolvimento territorial e fortalecimento de negócios locais. Formada em Turismo pela Universidade do Estado da Bahia e mestre pela Universidade Federal da Bahia, atua na articulação entre identidade territorial, empreendedorismo e políticas públicas. À frente da Matze Consultoria, lidera projetos voltados à estruturação de destinos, qualificação de empreendimentos turísticos e valorização de recursos locais, com foco em estratégias sustentáveis e de impacto real nos territórios.