Os perigos da informalidade no turismo

Imagem de um grupo grande de pessoas fazendo trilha com mochilas nas costas nas montanhas.

A informalidade no turismo ainda é uma realidade marcante em muitos destinos brasileiros.
Embora possa parecer uma alternativa viável para quem deseja empreender com menos investimento e sem tanta burocracia, essa escolha pode trazer consequências sérias — tanto para os profissionais quanto para os turistas e para o próprio território.
Entender os riscos da informalidade é o primeiro passo para promover um turismo mais seguro, qualificado e valorizado.

A falsa vantagem de atuar sem formalização

Muitos profissionais acreditam que atuar de forma informal é mais simples. Afinal, evita-se a burocracia, economiza-se com impostos e há maior liberdade nas decisões. No entanto, essa aparente vantagem esconde riscos sérios e prejuízos significativos no médio e longo prazo.

Em primeiro lugar, a informalidade limita o acesso a crédito e impede a emissão de notas fiscais, o que dificulta a formalização de parcerias com o setor público e privado.
Além disso, profissionais informais enfrentam mais barreiras para crescer, qualificar seus serviços e se manterem competitivos no mercado. Outro ponto crucial é que a ausência de um CNPJ reduz a credibilidade do negócio diante de clientes e parceiros.

Com isso, o empreendedor compromete sua própria sustentabilidade. Um negócio informal é vulnerável a fiscalizações, denúncias e mudanças no ambiente econômico. E, sem respaldo jurídico, o profissional assume sozinho todos os riscos. O que parece ser liberdade, na prática, é um cenário de insegurança e instabilidade.

Riscos para os turistas e para a reputação do destino

A informalidade também afeta diretamente os turistas. Muitos visitantes contratam serviços sem saber se há capacitação, segurança ou garantia de qualidade envolvidas. Guias sem credenciamento, agências improvisadas e atividades irregulares expõem o turista a acidentes, experiências negativas e até golpes.

Esses problemas, por sua vez, comprometem a imagem do destino. Um turista mal atendido dificilmente retorna — e mais do que isso, compartilha sua insatisfação com outras pessoas, especialmente nas redes sociais e plataformas de avaliação pública. Em um mercado cada vez mais conectado, um erro pode destruir a reputação que levou anos para ser construída.

Além disso, a informalidade dificulta o monitoramento e a gestão do turismo. Sem dados oficiais, os gestores públicos não conseguem planejar ações, nem identificar as reais demandas do território.

Como consequência, entra-se em um ciclo vicioso: baixa formalização gera baixa qualificação, que, por sua vez, gera experiências negativas e reduz o potencial turístico local.

Calma, ainda tem jeito

Apesar dos desafios, o combate à informalidade é possível — e depende de ação conjunta. Os governos devem criar políticas públicas que valorizem o profissional formalizado, oferecendo capacitação contínua, desburocratização de processos e incentivos concretos à regularização.

Ao mesmo tempo, os empreendedores precisam entender que formalizar não significa apenas pagar impostos. Na verdade, é o caminho para acessar direitos, crescer com segurança e contribuir para o fortalecimento do setor. A profissionalização traz estabilidade, visibilidade e maior poder de negociação com fornecedores, parceiros e clientes.

Outro passo fundamental é o reconhecimento da formação superior em Turismo. Ao contratar profissionais formados, o setor avança na direção da qualificação, fortalece sua imagem e amplia sua competitividade. Investir em gente preparada é garantir que o turismo seja, de fato, um vetor de desenvolvimento local.

Por fim, os turistas também têm um papel ativo nesse processo. Pesquisar a procedência dos serviços, exigir nota fiscal e valorizar quem atua com responsabilidade são atitudes simples, mas poderosas. Um turismo mais seguro, justo e eficiente só se constrói com o comprometimento de todos os envolvidos.

Carla Oliveira
Carla Oliveira

Consultora especializada em turismo, desenvolvimento territorial e fortalecimento de negócios locais. Formada em Turismo pela Universidade do Estado da Bahia e mestre pela Universidade Federal da Bahia, atua na articulação entre identidade territorial, empreendedorismo e políticas públicas. À frente da Matze Consultoria, lidera projetos voltados à estruturação de destinos, qualificação de empreendimentos turísticos e valorização de recursos locais, com foco em estratégias sustentáveis e de impacto real nos territórios.